domingo, 2 de setembro de 2012



Origem índia

Quando o canto bom ilumina
O índio alterna os morenos pés
Seus pares igualam passes de fé
A fogueira reflete a iniciativa.

Pelo chorume da mata se vê ajuda
Restos limpos anexados à vida
Nativos recolhem o que dignifica
Brancos extraem o que é a usura.

O rito pluvial com divino esmero
Desejo por uma aldeia mais farta
Respeito pela influência da mata
Colhendo do homem o que é certo

Assim agem os naturais da floresta
Xamãs, guerreiros, mães e caciques
Gratos à terra por suas vidas humildes
Rezando pois o branco destrói o que resta.

sábado, 2 de junho de 2012


DOIS NÓS

"noiado"
Ata-se um de um lado
Do outro fecha um nó
Ambos juntos atados
Já são dois de nós

Pra cá não passa
Grosso e feito está
Pra lá tão pouco vai
Amarrado agora e já

Corda sem começo e fim
É um, é dois às sós
Juntos os dois enfim
São nós de nós.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O beco




 Desprovido de canto o beco não tem fundo
É mais uma dimensão intencional
Imensurável de tudo
O vão vicinal

-Descabido -

A ilusão do mundo
Perfeita no traço diagonal
Miragem realista de um profundo
 Sem começo nem fim num beco proporcional.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Mantimento




Segura o teu eu - agarra sonho -
Vem com clareza definida
Sugere ao subconsciente
Supervisiona a emoção

Bem defende o perdão
Amante do ânimo e do inanimado
Trespassado pela verdade
Transparece o amor da unidade

Não divide o errado do certo
Canto interno em singular harmonia
Invocação do eco num único acerto
Instinto puro de redenção

O momento ameno se percebe
Desejo do cerebelo e do animalesco
A decisão independe do racional
O intuito do ser decidirá o que há.

AMOR INTERNO

http://www.youtube.com/watch?v=1bVYgYW6410

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Jantar Minimalista

Meu corpo são células arriscando a sobrevivência
O chão,
Somente o apoio atual do meu parecer.
A ave de rapina,
Um gênero de pássaro caçador de vidas.
O parafuso,
Miseramente o encaixe das pequenas coisinhas.
Pois melhor é cumprimentar placas sugestivas
Cascas de árvore
Jumentas rainhas
Regar o mancebo de mogno
Para ver se há vida.
Se as hienas riem do meu balançar,
Trazem alegria à guerra dos bobos
Causam no porco algum nojo
Encharcam com sangue o meu patamar.
Já que a lágrima é só o mijo da alma,
E o jantar servido sugere o mínimo
O pensamento soa como música na merda.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O adeus final


A glória da atmosfera sensibiliza nossa pele
Um último eco do vento sobre o oco do vale
Realeza tremular no antigo da montanha
Orvalhos propagando o prisma infinita cor
 
Estrelas sem fim em domínio universal
Anéis de energia vêm ao som do rugido
No horizonte o esplendor da Natureza
Afago do tempo sobre a matéria viva
 
O primitivo encantando num telúrico movimento
Belos reflexos do rio dentro d’alma
Imensidão de Amor doada à Amizade
Incerteza das luas nos seus movimentos

Quão magnético é o teor das partículas
Trânsito de vidas e pedras na espiral da origem
O calor do cosmos desabrocha em juventude
Raças acenam para a extinção de seu tempo

Substâncias fluirão sem meta pela intermitência
É dispersão imensurável de toda a Energia Vital
O pensamento explana limite em si mesmo
O Universo pulsa e reinicia o adeus final.

sábado, 22 de outubro de 2011

Comunhão do Fogo

O chão quente permanece quente, teso e chamejante.  O fogo brando ativa as lamúrias da hipnose, forjando o forte no aquecimento do ambiente. Labaredas vibram em comunhão enlaçada, num turbilho laranja. No casamento do vento com a chama, vence a fumaça. Ali no sopro das luzes amarelo-noite se desmoronam por cima as sombras engole-facho.

Queima a madeira viva – alimento expirado em júbilo contínuo – com fé e aprimoramento. Como as pontas do chicote dançarino do mestre, as línguas fátuas beijam-se entre si, implacáveis pela improvisação da coreografia. O ferro cintilante borbulhando na forma surge da criação Elemental: substância refinada, competência hermética dos ancestrais.

Ele, aliado da fuga invernal, mas inimigo da mata primaveril. Molde-trunfo da revolução industrial, por outro lado desaba-mundo das edificações comensais. Também é o trauma em todos os graus da cicatriz humana. Exercendo sobre o brilho da pupila o âmago do medo horroroso e o fascínio obsessivo da atração, numa pirofagia dúbia, bipolar.

Ai essencial combustível aeróbico que concede viva vida! Imponente partilha o mesmo cargo em toda a existência. Pela pira preservada remete ao simbolismo esportivo - força do músculo - daí vem e dá suculência à carne ingerida, assada na medida sobre chama incandescente e necessária. Em muitos atos foi sinônimo de loucura insanidade perversão, surto incendiário na mente de um fascinado, atraído para sedução descontrolada.   
Uma vez atiçado, seja pela faísca espontânea natural ou ação certa intencional, o elemento ganha vida própria em autofagia sem razão, alimentando-se do que arde e inflama, a migrar infindável numa propagação atroz beijada pelo desejo do vento. Origina sempre em transparente azul de natureza espiralada, corpo flexível com transformação imprevisível. E, após a pujança nutrida de seu apogeu, perece, agonizando enfim, numa brasa de carvão ensandecida. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

EU VOU FAZER UMA EMBOLADA, SAMBA COM MARACATU
TUDO BEM ENVENENADO, CONTRA MIM E CONTRA TU.


Chico Science