sexta-feira, 19 de maio de 2017

OFERT’AÇÃO’



Em humildes claustros rezatórios
Capelas anexas logram, alçando naves
Entrecruzam-se preces e velas
Vide cessação quântica do obsesso

Sob tecidos mentais estampam-se ídolos
Rogos e pedidos do universo num dia
Em qualquer galáxia-dimensão
Retro em fronte, a fundo e adentro
Milagres hexagonais em benção primitiva

A pergunta dos vivos é a morte
E a resposta da verdade é o fruto
Suplicam agora a remissão do terreno
O pecado leigo que adensa a matéria

E arremesso de almas no solstício
Cheira à mirra índia do oriente próximo
Espíritos são ofertados ao Deus dos índigos
Que lhes recebem num surdo equinócio

Fartura, oferenda, dação ao Superior
Nada lhe volta se tu a tudo não se doas
Não se entrega ao maravilhoso desconhecido
Das ações-curas em plena luz do perdão

 Altares invólucros de cor, instituições pedintes
Rezos, corpos cerrados num círculo de proteção
No jogo da oferta astros irrompem a via vácua
Emoção vibratória gerando o som Criador

A Fé é a potência não medida da Lei Eterna
A energia reatora no momento da ação
Sobre o espaço-tempo do não julgamento
Que atrai, é atraída e é Atração.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Animalma



Afinal, o que é animismo?
Tudo que é vivo têm alma
Primeira religião do planeta
Anima vida, animada dádiva

Há quem duvide muito disso
Mas fala com seu bichinho
Pratica animismo sem saber
Funde-se num só organismo vivo

Essa conexão é muito sagrada
Na frente da vida há o plano sutil
Tem função tudo que é orgânico
Desde a pedra, a planta, o bicho

Vão dizer ainda que é feitiçaria
Afirmar que todo ser se comunica
Mas se nós temos alma e intenção
Porque não crer nesta magia?

E o animismo não é primitivo
Está presente agora, é ciência
Os vegetais dizem: somos medicina
A Terra com os fenômenos, clemência!

Anima o teu viver honrando toda vida
O “segredo” evidente desde o princípio
No respeito pela animação universal

Na eterna união do corpo com o Espírito.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Coração na beira

Não existe limite para sentimento
Se há, não há como ultrapassá-lo
Urge além dos infinitésimos segundos
No desejo íntimo do coletivo aguçado

Amar, odiar, cuidar, abandonar
Procurar o bem bom do coração
Conciliar o seu com o do outro
Ver o saudável da relação 

A vaidade ergue bloqueio
O acesso ao chacra
elevado
Cega o terceiro olho
Anuvia o movimento dado

Quando a mente age para impor
Se segura no ritmo do peito
Firmando a decisão que cora
Bombeando o sangue inteiro

O Coração, coragem e engrenagem
Na beira das escolhas infindas
Nesta carne e nos planos etéreos

A decisão última da vida rítmica.  

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Auguro



Psique aleijada
Ânsia de palavras
Queijo em brasa
Vidência equilátera

Limpou o drive
Sucedeu a carne
Execrou a face
Deitou sob árvores

Bem querendo
O Forte atento
Imagem dentro
Em pensamento

Cura movediça
Ilusão que atiça
Permeia a lida
Verbo da vida.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Fronte crua

Ácido fólico entre bandejas
Copos de serpente
Forças auguras lamentando a sorte
Pois o que um anjo te trás à vista
É um sopro atrás da orelha
Vibrando sanidade
Sedenta pelo invisível
Que o viço do céu seja
O sereno dos olhos
A lápide seja só a carne-matéria
As cores medidas
Pelo grau da medicina
Um hecatombe
Como podem estar as coisas dispostas
Vem o véu volumoso das águias
E uma corrente, um estrondo de gotas

Expondo nossas frontes nuas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Jurema Preta

Sou aluno das árvores
alma elétrica
 nas veredas
mais secretas
Catimbó sonâmbulo & seus palácios
meu crânio virando brasas
desfolhando meu coração
 mananciais transfigurados
na memória.

Roberto Piva

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Cronograma da vida


Num rebento cósmico eclode a vida
Vinda da explosão-expansão da matéria
Surge simples, unicelular e invisível
Para tornar-se o propósito da Divina ideia

Não há como seguir um plano conduzido
Quando se trata de ínfimas vidas, infinitas 
A regência biológica seja animada ou inerte
Se entrelaça em teias sutis de galáxias vias

O tempo remunerado teve lucro vindo o orgânico
Fez-se nele algum sentido com as rugas e mortes
É o espaço na dimensão entre as idas e vindas
Dos seres-universo que se entregam à sorte 

Este poder como tal cria por si só nova biologia
Mesmo se atendo a entrada e saída deste plano
É a chave sublime que o Arquiteto compartilha

Ser a oportunidade de um cronograma novo.

sábado, 22 de agosto de 2015

Galope irreversível


Emparelhados descem os animais celestes
E anjos ataviados de vácuo e energia
A cortina é uma decisão sábia
Deixar entrar ou não a luz perene

É por um caminho sisudo que a glória vem
O fogo elaborado do perispírito
Calado quase cessa o julgamento externo
Falante trépido publica o pré-conceito interno

A opinião é uma anomalia assintomática
Carro-chefe da doutrina egóica
Conhece e descobre a inversão sofia
Sugere a si a receita da ilusão simplória

O tropeço põe-se dentro
A inexperiência leva a julgo
Se retira da matéria por um instante
Olha o presente arregalado à nossa volta

O movimento para algum lugar é inadiável
Por isso o galope é irreversível
Afivele a mente e massageie o coração
Vale tudo o ser sensível

Zela o mundo quem não vive em vão.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Partindo alto


Sabe
Estou repartido
Com a ideia de ser parte
Também não desejo
Tomar partido
Porque assim
Pareço repartição

O partido toma parte
De um lado
E parte do princípio
De tomar partido

Eu parto do partido único
Do universo primitivo

Um partido chega e já parte
Sem fraternidade
Vai partindo, partindo, partindo
Repartindo a unidade

Por isso o meu partido
É você, sou eu, todas as partes
O partido da água, da terra e mato

Somos deste partido
De onde tudo parte
Do Alto

Partido Santo
Partindo alto.