Oceano Fechado
A nadar sobe a lua
E ardem os meus pés
Tudo melhor se for irreal
Muito pior se rimos de nós.
Gaivotas desejam peixe sedentário
O Coral é a baleia aos olhos nocivos
A pedra,
O marco que divide o mar
A lua, incitante indomável
O vapor de sal toma rumo no ar.
E o ar se espreme
entre as moléculas molhadas
É o desejo da maioria,
O fluxo da correntes
Numa imensidão externa,
Em imersão eterna
Imprevista,
e crescente
Engolindo a terra.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Coito
Te levando ao topo
Ao requisito de mais libido
Escolto teu sexo à ebulição
Em fervor de suor vivo
Me escorrego pela contração
Amando e vivendo tuas partes
Desejando a lascívia do hálito
O cheiro expresso do divino
Pondo-me junto de ti
Ansiando o toque do perfeito
O ato do tato mais devasso
Um calor interno das coxas
O arrepio instintivo de corpo doado
Repentino como o atrito dos músculos
O encaixe engrenado dos opostos
No subterfúgio do raciocínio da mente
Recebendo teu gozo puro de insanidade.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
A ÁRVORE DA SERRA
- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha'alma!...
- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
Ausgusto dos Anjos
- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha'alma!...
- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
Ausgusto dos Anjos
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Pradarias Invisíveis
Pelo sonho caminham os peixes
O chão úmido refletia o sabor do abismo
O líquen respirando papoulas murchas
Seria a criança o limite da regalia?
Seria o carnaval a transparência dos tolos?
Viria a morte ao encontro do orgasmo?
Na geologia do pensamento há respostas
Contestadas pela célula morta
Onde se encaixam as pradarias invisíveis?
No mundo complexo dos cegos
Onde o âmago da vulva é tangível
E o concreto é feito de nuvens
Compartilhando o mesmo chão que os peixes
Sem tropeçar.
Daniel Monteiro
O chão úmido refletia o sabor do abismo
O líquen respirando papoulas murchas
Seria a criança o limite da regalia?
Seria o carnaval a transparência dos tolos?
Viria a morte ao encontro do orgasmo?
Na geologia do pensamento há respostas
Contestadas pela célula morta
Deixadas de molho em mangue opaco
E esticadas para secar no trópico das bestas tinhosas
No mundo complexo dos cegos
Onde o âmago da vulva é tangível
E o concreto é feito de nuvens
Compartilhando o mesmo chão que os peixes
Sem tropeçar.
Daniel Monteiro
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Perfume Exótico
Quando eu a dormitar, num íntimo abandono,
Respiro o doce olor do teu colo abrasante,
Vejo desenrolar paisagem deslumbrante
Na auréola de luz d'um triste sol de outono;
Um éden terreal, uma indolente ilha
Com plantas tropicais e frutos saborosos;
Onde há homens gentis, fortes e vigorosos,
E mulher's cujo olhar honesto maravilha.
Conduz-me o teu perfume às paragens mais belas;
Vejo um porto ideal cheio de caravelas
Vindas de percorrer países estrangeiros;
E o perfume sutil do verde tamarindo,
Que circula no ar e que eu vou exaurindo,
Vem juntar-se em minh'alma à voz dos marinheiros.
Charles Baudelaire
domingo, 9 de agosto de 2009
Cana lírica
Me embebo
Me abasteço
Me enveneno.
O engenho é doce
Altiva a colheita
Poderoso o efeito.
Ardido como o sol
Libertino é certo
Abrindo o ponto de fuga.
Daniel Monteiro
Me abasteço
Me enveneno.
O engenho é doce
Altiva a colheita
Poderoso o efeito.
Ardido como o sol
Libertino é certo
Abrindo o ponto de fuga.
Daniel Monteiro
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Repartição pública fascista em Nápoles, ano 1936.

Pública
Vou publicar sobre putas
Todas as que amam clientes
Salafrárias carentes
de passarinhos políticos
É público bem como
O chamado do mendigo amarelo
Despovoando a rua abrupta
O chão seu lar, a comida crua.
Impureza chata, ingrata, sem graça
Não transmite nenhuma doença limpa
E o que se cura com a verba da massa?
Nada.
E mais público que esgoto não há
Taxado humanamente como não
Visando a engorda da república
Que acumula propinas e varizes
Também públicas
Como a via em que andamos.
Daniel Monteiro
Assinar:
Postagens (Atom)
