sábado, 2 de outubro de 2010

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível."


São Francisco de Assis


Afinal um sorriso custa menos que eletricidade, e dá muito mais Luz.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

LIBERDADE DE SER



Este ano quero a liberdade de me amar

De ter o verão na palma da minha mão

De dizer um pouco menos o não

De me vestir como bem desejar


Escolher as cores do meu dia a dia

Sentir que sou admirado por dentro

Viver os melhores momentos bem lentos

Compartilhar sonhos com toda família


Que a cada dia eu tenha pequenas férias

Como a gaivota que voa entre o céu e o mar

Marcar presença quando as coisas forem sérias

E dar o melhor de mim quando precisar


Pois o que desejo a mim desejo a todos

As melhores festas cobertas de felicidade

Estar bem com tudo aquilo que somos

E vivermos juntos nossa liberdade.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Catatumba de ló



Alcova reconchegante cheirosa

Macia em feltro pomposo

De deixar acolhidos os acólitos



Garboso trato se experimentava na fronte

E semblante anterior a pino de altivez

Num concreto arrimo reto em seu desenho



Paz balbuciante ingeriam os visitantes

Rãs, lagartos, cadafalsos e hinos

Transições temporais manifestadas em relance



Ali perambulavam almas arrítmicas em desaviso

Pela entrada se via toda a moral intrépida

Gentileza prostrada no piso vil dos transeuntes



Réus injulgáveis se acomodavam de bom gosto

E de ano a milênio o oculto era mais culto

Um coveiro sem idade tudo e a todos desmentindo



De recepção alimentava-se o contemplar dos mortos

A protuberar uma austeridade fidedigna

Com clássicos desejos revirando nas gavetas decompostas



O ló permeava a destoada Catatumba

Undécima sepultura radial

Destino certo dos que morrem em outros mundos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Augustos










Quero o Amor de Jeová

Com o consentimento de Alah

Lá no cantinho de Jah.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Viradinha à Paulista























Esse é o momento "cultural" de São Paulo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Colhendo merdas numa tarde ensolarada

Eu, num momento só, minha pá bipolar em punho com a vassoura noutro braço, iniciei o recolhimento de merda canina, e prefiro desde sempre recolher merdas caninas. É um trabalho interessante e de interesse comum. Interessante porque se pode desenvolver assim novas habilidades olfativas e artísticas, entrando em contato com a imaginação escultural de cada peça defectiva e com os odores peculiares que cada uma leva. De interesse comum justamente porque ninguém que conviva com os sapecas animais deseja sentir odores insuportáveis ou desviar com saltos esguios o produto final da ração. Pode parecer indigno e quase nada vantajoso recolher tais excrementos, mas é aí que se revela a nobreza do ato receoso. Exatamente porque a maioria das pessoas detestam ter que lidar com suas próprias atividades fisiológicas, pelo asco pessoal que adquirem da própria raça, crêem que seria muita mediocridade e rebaixamento limparem bostas cachorras. Mas essas bostas são muito melhores do que a nossa, sem toxinas e podridão. Experimente defecar no chão e deixar lá por um dia, vai preferir que fosse de cães. Vai ver então que limpar coco de cachorro é mais digno do que você mesmo cagar na privada e gastar vinte litros de água. E ainda dá pra fazer adubo. Limpe a merda de seu cão com empenho e simplicidade, e sairá com o sentimento de missão cumprida.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Guardador de Rebanhos

XXXIX


O mistério das cousas, onde está ele?

Onde está ele que não aparece

Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?

Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?

E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?

Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,

Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das cousas

É elas não terem sentido oculto nenhum,

É mais estranho do que todas as estranhezas

E do que os sonhos de todos os poetas

E os pensamentos de todos os filósofos,

Que as cousas sejam realmente o que parecem ser

E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: –

As cousas não têm significação: têm existência.

As cousas são o único sentido oculto das cousas.
 
 
Alberto Caeiro

sexta-feira, 9 de abril de 2010

NUDEZ OBLÍQUA





É um desejo que temos idealizado

Desnudar o pudor deliciosamente

Tornar públicas as genitálias

Há verdade nisso



Demonstrando a realidade das nossas formas

O ímpeto do nosso corpo ferramenta

Vê-se o quão simples é a animalidade

A curva do vento nas ancas



Mas a praxe oculta a grande ânsia

O tabuzinho esdrúxulo do encobrimento

Porque tememos o nosso nudismo

Mas amamos assistir o alheio



Morrer com gosto é morrer sem roupa

Como quando irrompemos do útero

Pelo prazer copular somos bem vindos pelados

No auge a arte aplaude todo o contorno



Nus vamos ao nosso próprio encontro

À crua singularidade em natureza

Assim tudo é feito com majestade

No clímax do estado vital.




terça-feira, 2 de março de 2010

Reciclo




O que podemos renovar

Sem que possamos degenerar?

Como vamos imitar o ciclo terreno

Se rodamos em círculos de medo?

Ponha o metal na origem

Emplastifique corpos cretáceos

Deixe sua marca na árvore

E o planeta rirá da intenção.